fevereiro 20, 2005
VIVA DONA MUI? !
Trabalhando em r?dio a gente acaba encontrando um monte de artistas. Eu conversei com v?rios, alguns ?timos, outros pavorex, tudo um pouco. Cheguei a conclus?o de que, o que difere um artista de um banc?rio ? a quantidade de gente que corre atr?s deles (isso no caso do banc?rio n?o ser um trambiqueiro, claro).
Mas neste papo aqui, o que me interessa n?o ? o artista (nem o banc?rio). ? o tal do f?. ? gente original, s?! Quer ver? Aut?grafo. Que sentido faz isso??? Paix?o arrebatada: falta de assunto na vida pessoal?... Sei l?, pra mim ? um mist?rio uma pessoa ficar transtornada s? porque outra pessoa fala no r?dio, rebola na tv, sorri numa revista e cata cavaca no palco.
Claro que gosto de um bando de artistas, bons no que fazem. Assisto seus shows e pe?as e filmes, mas s? levo suas id?ias interessantes a s?rio, j? que n?o os conhe?o pessoalmente e nunca sei quem realmente s?o. ? muito mais f?cil eu ser f? de um atendente de supermercado ou banc?rio do que de um artista que fez plim na m?dia.
O que me leva a uma cena de outro dia. Peguei o famigerado ?nibus 107 (Deus me perdoe!) na Urca. Era um dia de sol, l? pelas 4 da tarde. Entrou tamb?m no ?nibus uma mulher, baixinha, magrinha, com 3 crian?as. A mulher levava uma baita b?ia colorida e uma baita bolsa. Dava para ver que ela trouxe as crian?as para a praia, vindo de algum bairro longe pra ded?u.
Eu sentei no banco atr?s dela, as crian?as espalhadas nos bancos a nossa frente. A baixinha tinha um jeito muito tranquilo e eficiente. Observava tudo e ia tomando provid?ncias. Primeiro, descobriu uma mulher mais velha em p? e, sem nenhum constrangimento e sem afoba??o, arranjou logo um lugar para ela sentar. Depois recolheu da crian?a pequena um lixo que ia ser jogado pela janela (guardou o lixo na bolsa at? achar um local apropriado para despejar). Depois, pegou uma baita faca e uma laranja, descascou e entregou para uma das crian?as. ( Voc? a? t? rindo, n?? Acha coisa de pobre comer dentro de ?nibus. Mas e aquela comida de hospital que servem no avi?o, com talheres de pl?stico ??? N?o vejo nenhuma diferen?a... rs). Bom, a mulher recolheu cada peda?o de casca e guardou at? achar uma lata de lixo.
A atitude dela, de simpatia, cuidado e compet?ncia, fez uma vis?vel diferen?a no ambiente e afetou, positivamente, os outros passageiros. Eles a olhavam discretamente e come?aram a ficar mais gentis: os que estavam em p? resolveram recolher bolsas que se penduram na cara de quem est? sentado. Os sentados se ofereceram para segurar as bolsas e pastas de quem ia em p?. Impressionante.
Eu fiquei f? daquela mini-mulher, pobre, mas cidad? solid?ria, com talento para mudar o mundo a sua volta. E lamentei n?o ter visto seu rosto, mas sou sua f? e de suas id?ias.
Postado por Eulina Rego em fevereiro 20, 2005 11:36 PM