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fevereiro 20, 2005

Fotografia digital - a fronteira final do teste psicot?cnico

Desde a pintura em cavernas, passando pelo "celacanto provoca maremoto" grafado nos muros, n?o se v? liberdade t?o ampla, em se registrar e divulgar um ponto-de-vista, quanto o advento da fotografia digital ? baixo custo.

Uma maquininha dessas exerce fasc?nio t?o grande sobre seu dono que, sem saber, est? exposto at? a ser considerado incapaz pela Justi?a.

Um estudo s?rio sobre o fen?meno est? sendo realizado pela ?MBCH (Organiza??o Monumental dos B?bados Criadores de Hamsters): as altera??es na sociedade ao se defrontar com a c?mera digital - v?cio ou mal necess?rio ?

Enquanto os cientistas da ?MBCH n?o divulgam seu relat?rio final sobre a s?ndrome, vamos lan?ar aqui as primeiras luzes (olha o passarinho!) sobre o assunto.

Primeiro - a c?mera digital olha com o descaso aristocr?tico dos camelos as lojas de revela??o de filmes fotogr?ficos. Ou seja, bateu, valeu.

Segundo - ? poss?vel fazer uma m?dia de 80 fotos por vez, enviar pela internet, imprimir, editar no PC. Pense bem: se voc? n?o ? um fot?grafo profissional, que precisa fazer in?meros registros do mesmo objeto, para escolher depois o melhor, o-que-voc?-vai-fazer-com-80-fotos ??

O ac?lito come?a, s?brio, com as fotos-padr?o (sobrinhos, namorada de mai? no piscin?o, tia Clotilde no batizado do Zequinha, os 15 anos de Cr?ra, e tal). Os sintomas aparecem quando, num impulso irrefre?vel, surgem as fotos n?o-acidentais de canto de parede, do c?u noturno sem flash, de todos os ?ngulos de uma samambaia, ma?aneta, detalhe do peda?o quebrado do azulejo do banheiro, al?m de fotos tiradas de ve?culos em movimento, como carro, avi?o e elevador.

A s?ndrome ataca qualquer um, sem distin??o de ra?a, credo ou profiss?o. Observa-se que a compuls?o de fotografar est? aliada ao esp?rito da galhofa, que se apodera do ente propriet?rio da m?quina. Prova disso ? a recente contamina??o da respeitada e perempt?ria jornalista Mar?lia Gabi que, ignoramos n?s talvez porqu?, ap?s entrevistar, com den?do, seus convidados, saca uma c?mera digital e ainda faz os distintos cidad?os se fantasiarem para a foto (!?!).

Mas a ?MBCH alerta para um grave efeito colateral: ao fotografar em ambiente p?blico, melhor olhar nas laterais antes. Pode haver algu?m alto e espada?do, acompanhado da esposa de outro algu?m, com tend?ncia a reagir mal diante da possibilidade de ser inclu?do na sua foto e lan?ar, com forte impacto e galhardia, um objeto s?lido, de quatro pernas, na dire??o da sua regi?o ocipital.

Meu nome ? E. R. e eu sou fot?latra digital.

ops_pes.jpg

Postado por Eulina Rego em fevereiro 20, 2005 11:06 PM

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