fevereiro 20, 2005
O Amor, a CASA & V?DEO, o Marketing e a Audrey Hepburn
No ano passado, inventei de comprar um certo presente para o meu Amor. Confesso que era um presente com segundas inten??es: um barbeador el?trico. Dar umas beijocas num rosto com barba cerrada ? mais que um esporte radical: ? uma prova de amor. Mas at? o amor pode ser otimizado e trazer mais alegrias que sacrif?cios. Minha t?cnica de marketing caseira para estimular o consumidor final.
Eu estava no shopping Itaipu MultiCenter e fui parar na loja da Casa & V?deo. Tem um balc?o separado para cacarecos el?tricos/eletr?nicos l?. Cheguei animada e ainda vi, numa prateleira, uma TV de 5" e resolvi que ia comprar tamb?m. Brasileiro ? um povo engra?ado: n?o resiste a pequenos trambolhos. Era uma hora de nenhum movimento na loja e havia 6 (seis) funcion?rios conversando no tal balc?o e nenhum cliente. Cheguei, falei, nem bola. Eles estavam tendo uma conversa muito interessante sobre alguma festa e eu estava importunando. Fui embora, comprar o barbeador em outro lugar. A TV ficou esquecida, era uma compra de impulso, que foi contido pelo descaso dos vendedores.
Hoje resolvi que ia comprar um par de walkie-talkies. Motivo ? Hmm,... deixa eu pensar em algum que pare?a coisa de adulto... Ah, depois eu fa?o uma declara??o ! Vi um an?ncio da (adivinhe ?) Casa & V?deo e fui l?, dessa vez, no Plaza Shopping. No balc?o, cheio de clientes (pacientes) esperando aquela lenga-longa de verifica??o de cadastros, perguntei sobre o pre?o de 2 aparelhos. A vendedora me disse que esta informa??o teria que ser pedida em algum lugar no long?nquo lado oposto da loja. Curioso, o produto ? comprado ali, mas qualquer coisa que pare?a informa??o ? obtida em outro setor. Como eu n?o sou boy da Casa & V?deo, agradeci e fui comprar, de novo, em outro lugar.
Achei a SOUND STATION, com um pre?o melhor e um atendimento que era isso mesmo: o vendedor fala com voc? e at? responde as suas perguntas. Luxo total! Feliz, pedi para testar os walkie-talkies e, mais uma vez, o vendedor, de nome H?rcules, foi de uma tranquila simpatia, suportando com savoir faire, quando ele dizia no aparelho "Al?, testando aparelho" e eu respondia "Al?, aqui ? o Tim Maia. Eu quero retooooorno!" em plena loja.
Eu n?o sei o que andam ensinando nas faculdades de Publicidade e Propaganda e nos cursos de Marketing. T? certo que ? uma ?rea que vive inventando termos (tem um horroroso, "fidelizar". Fidelizar ? N?o tinham um nome melhorzinho, n?o ??) e criando novas t?cnicas para atrair e fechar uma venda e manter o cliente cativo (ta?! Por que n?o usam a palavra "cativar" ?). Mas estou achando que a Casa & V?deo tem raz?es que o pr?prio bom senso desconhece. Investem pesado em publicidade em jornais e TVs e d?o import?ncia zero a equipe que vai fechar a venda. Talvez seja uma t?cnica de marketing baseada no princ?pio de que "pobre-tem-mais-?-que-se-danar", j? que ? uma empresa voltada ao segmento popular (eufemismo comercial para designar "pobre"). O pobre nesta terra est? t?o acostumado a esperar, a ser jogado de lado, que ningu?m acha que o pobre merece algum respeito, at? na hora de comprar numa loja. Nem o pobre!
Aqui entre n?s, se eu fosse a principal respons?vel pelos neg?cios da Casa & V?deo, uma vez ou outra, entraria como mera compradora numa filial, para saber se meus interesses comerciais estavam sendo bem conduzidos. N?o para demitir ningu?m, mas para descobrir, na pr?tica, onde estavam as falhas. E treinaria bem minha equipe. Vai ver que digo isso porque n?o tenho uma grande empresa e, em tempos de crise, ? uma boa estrat?gia fazer o cliente vir at? a loja e sair de m?os vazias.
Uma vez vi um filme com a Audrey Hepburn. Ela representava uma garota sem grana, que gostava de se sentir tratada com aten??o e respeito, como todo mundo. E faz uma declara??o para um amigo (um bem sacado recurso de merchandising, inclusive). Ela dizia que, quando se sentia por baixo, ia numa famosa joalheria na cidade, onde qualquer pessoa era tratada com o mesmo respeito e at? sofistica??o. Desde aquele que tinha apenas um d?lar para gastar, at? os que podiam deixar milhares de d?lares na loja, o atendimento era igual. Desde esse filme, passei a sentir que esta era a ?nica forma de conduzir bons neg?cios. Pena que ? um cl?ssico, que n?o passa muitas vezes na TV. Mas ? uma aula de marketing.
Postado por Eulina Rego em fevereiro 20, 2005 09:58 PM